Os EUA são surpreendentes na escala das suas contradições. Se são um país em que é possível um ato como o do assassinio policial de George Floyd, em pleno dia, em circunstâncias em que não há qualquer dúvida da não perigosidade do detido e em que ninguém consegue invocar atenuantes significativas para a violência policial, são também a nação em que é possível saber tudo sobre a violência policial, incidência, destinatários, locais em que ocorre.
Todos sabemos que no fim da escravatura ficou na sociedade americana uma profunda fratura social que ameaça a democracia, a qual aliás já tinha sido profetizada pelo olhar atento de um jovem artistocrata francês. Alexis de Tocqueville, na sua produtiva e inspiradora viagem pela América.
Mas sabemos quase em tempo real muito sobre essa fratura. O New York Times notícia que a polícia de Minneapolis usa a força contra cidadãos negros sete vezes mais do que contra cidadãos brancos. É difícil ignorar que há aqui um padrão discriminatório. É mais fácil perceber que há aqui violência seletiva. O NYT mostra também onde essa violência ocorre.
Com as adaptações necessárias à nossa sociedade, talvez o nosso racismo policial e talvez a discriminação social no modo como a polícia atua fossem menos desconhecidas e toleradas entre nós se alguém compilasse os dados e nos confrontasse com algo semelhante. Como não à democracia sem vigilância democrática, esta falha dos media em municiarem a nossa vigilância é uma das nossas fraquezas. Mais que nunca precisamos de imprensa sólida e livre e não de telefones com teclado ou pior ainda, de teclados que telefonam às fontes policiais, judiciais, etc para recolher sempre o ângulo das históricas que convém aos poderes instituídos, deixando-nos no silêncio sobre o outro.
https://www.nytimes.com/interactive/2020/06/03/us/minneapolis-police-use-of-force.html?referringSource=articleShare
3.6.20
2.6.20
A ler, porque sem liderança global o mundo vai piorar mais do que era possível
Gordon Brown pede ao G20 que reapareça, depois de ter feito promessas em março, que não se materializaram e desaparecer do mapa.
Sem ação global concertada, muitos países pobres não terão recursos para os seus deveis sistemas de saúde, continuaram atulhados numa pilha de dívida paralisante, o mundo não encontrará estímulos adequados para a recuperação económica e, não esqueçam os que olham para tudo isto do lado cínico, aumentaram as hipóteses de que o ocidente importe uma segunda vaga de Covid19 de regiões que agora abandona.
Trump, mais uma vez, é o coveiro de serviço do pouco que tínhamos de multilateralismo e o resto do mundo tem que pará-lo, condicioná-lo ou deixar-se arrastar para problemas ainda piores do que aqueles que os pessimistas que são otimistas bem informados antecipariam.
Gordon Brown tem especial autoridade para falar. Economista de formação, foi o Primeiro-Ministro Britânico que na crise de 2008-2009 se bateu no mesmo G20 com sucesso por uma resposta global à grande recessão. Depois, perdeu as eleições. O então DG do FMI, Strauss-Kahn deixou-se apear por uma conduta privada absolutamente censurável e a perda dos dois conduziu a uma visão da crise e da sua gestão que nos arrastou a todos para muito sofrimento desnecessário. Não gosto de usar chavões simplistas, mas se voltarmos a entregar o mundo à coligação de economistas-sacerdotes do neoliberalismo com políticos de vistas centradas no bem estar do seu jardim, ponham os cintos porque o mundo vai afundar outra vez.
https://www.theguardian.com/commentisfree/2020/jun/02/g20-leading-world-out-of-coronavirus-crisis-gordon-brown?CMP=Share_iOSApp_Other
Sem ação global concertada, muitos países pobres não terão recursos para os seus deveis sistemas de saúde, continuaram atulhados numa pilha de dívida paralisante, o mundo não encontrará estímulos adequados para a recuperação económica e, não esqueçam os que olham para tudo isto do lado cínico, aumentaram as hipóteses de que o ocidente importe uma segunda vaga de Covid19 de regiões que agora abandona.
Trump, mais uma vez, é o coveiro de serviço do pouco que tínhamos de multilateralismo e o resto do mundo tem que pará-lo, condicioná-lo ou deixar-se arrastar para problemas ainda piores do que aqueles que os pessimistas que são otimistas bem informados antecipariam.
Gordon Brown tem especial autoridade para falar. Economista de formação, foi o Primeiro-Ministro Britânico que na crise de 2008-2009 se bateu no mesmo G20 com sucesso por uma resposta global à grande recessão. Depois, perdeu as eleições. O então DG do FMI, Strauss-Kahn deixou-se apear por uma conduta privada absolutamente censurável e a perda dos dois conduziu a uma visão da crise e da sua gestão que nos arrastou a todos para muito sofrimento desnecessário. Não gosto de usar chavões simplistas, mas se voltarmos a entregar o mundo à coligação de economistas-sacerdotes do neoliberalismo com políticos de vistas centradas no bem estar do seu jardim, ponham os cintos porque o mundo vai afundar outra vez.
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